Transcrevo matéria do site do Jornal Correio do Povo, publicada em 01 de janeiro de 2010, referente a queda do PIB GAÚCHO.
Pela segunda vez na década, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual teve em 2009 desempenho negativo de -0,8%, totalizando R$ 203 bilhões. A informação foi divulgada na quarta-feira pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). A primeira retração em dez anos foi registrada em 2005, quando o PIB gaúcho caiu -2,8%.
O Produto Interno Bruto per capita, por sua vez, apresentou redução de 1,6%, atingindo o valor de R$ 18,8 mil. Os resultados, ainda que negativos, foram bastante reduzidos, se comparados aos números vigentes até o final do primeiro semestre deste ano.
O segmento que apresentou maior retração foi a indústria, com -5,3%, seguido pelo comércio, -2,3%. Em compensação, o setor de serviços teve desempenho positivo de 0,9%, e a agropecuária, de 1,2%. Na indústria, o setor de transformação foi mais afetado pela crise mundial, tendo impacto expressivo na taxa. A queda foi de -9,3% no ano.
Os destaques negativos na indústria da transformação ficaram por conta dos calçados (-23,3%), veículos automotores (-24,5%) e máquinas e equipamentos (-31,8%). Refino de petróleo, celulares e produtos de papel e celulose, porém, apresentaram crescimento da atividade de 15,9% e 6,6%, respectivamente. Para o supervisor do Centro de Informações Estatísticas da FEE, Adalberto Alves Maia Neto, o cenário econômico reflete o ano difícil por que passou a economia brasileira e gaúcha. O PIB do país cresceu 0,2%.
Apesar dos resultados, a avaliação de Maia Neto é de que os números não foram tão ruins. "Foram satisfatórios, levando-se em conta que as projeções para o Rio Grande do Sul eram de taxas inferiores a isso", disse. Na avaliação do economista, os dados revelam que a crise não atingiu tão fortemente o país e o Estado nas proporções estimadas, se comparado ao mercado internacional. Para o próximo ano, os prognósticos são otimistas, devido à recuperação da atividade produtiva, com retomada da capacidade instalada da indústria.
Recentemente, o Banco Central divulgou a previsão de crescimento do PIB para 2010 para o Brasil e estimou crescimento entre 5% e 6%. Levando-se em conta o comportamento da atividade, a tendência é de que o Estado acompanhe esse incremento. Segundo análises da FEE, o destaque positivo deverá ficar com a indústria de transformação. Maia Neto acha cedo fazer projeções, especialmente porque o Rio Grande do Sul tem base na agropecuária e as oscilações desse segmento têm impacto direto na economia.